A chave para estabelecer hipóteses: atitude científico-empreendedora
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Sabias que o melhor empreendedor é um cientista? O método usado por estes profissionais para demonstrar uma hipótese será útil se quiseres verificar a validade da tua ideia.
Para saber se algo pode ter impacto no mundo, primeiro é necessário conhecer o ambiente que nos rodeia. Dar uma vista de olhos aos jornais, ouvir canções, podcasts ou ler sobre qualquer tema (são muitas as disciplinas das quais podemos aprender) não só nos conectará mais à nossa realidade, como também aumentará a nossa criatividade, servirá de inspiração e melhorará a nossa mentalidade empreendedora. A chave é absorver, como uma esponja, tudo o que nos possa ser útil. Entre os métodos que mais contribuirão para o nosso projeto de empreendedorismo está o método científico. Através de processos semelhantes aos aplicados para demonstrar uma hipótese, podes verificar se as tuas ideias teriam um impacto real, necessitariam de uma abordagem diferente ou se seria melhor descartá-las diretamente. Apagar e recomeçar. Esta forma de abordar a validade de um projeto é muito útil para corroborar o seu possível sucesso; assim, evita-se um gasto desnecessário de energia e recursos. Para isso, o primeiro passo é estruturar uma hipótese. No empreendedorismo, costuma-se utilizar este esquema:
Acredito que {{descrição da ideia ou protótipo}}...
para {{clientes aos quais te diriges}}...
conseguirá {{resultado da implementação da ideia}}.
Como verificar a validade da hipótese
Depois de definida a hipótese, há que seguir uma série de passos para verificar se tem validade.
Rever a hipótese
Verifica que, além de propor uma solução realista para um problema existente, essa solução ainda não tenha sido testada antes. No âmbito científico, existem publicações que orientam os especialistas a verificar se a sua hipótese já foi comprovada. Infelizmente, no mundo do empreendedorismo não existe esse tipo de literatura (e muito menos sobre os fracassos, já que normalmente se fala dos casos de sucesso). Para estar atualizado, lê o máximo possível e procura estar atento às publicações sobre o tema da tua ideia. É possível que já exista uma empresa que tenha tido uma ideia semelhante à tua (as ideias, especialmente se resolverem necessidades reais, não costumam ser tão originais), por isso é importante fazer um estudo de mercado antes de avançares com o desenvolvimento da tua startup. Confirma que tens algo novo para oferecer: talvez a tua proposta seja mais eficaz, mais inteligente ou mais atrativa. Aqui vai outra dica para este ponto: desde as fases mais iniciais do teu empreendimento, é fundamental ter uma identidade clara, uma história para contar e definir uma forma de interagir com o mundo. Isso deixará uma marca e tornará o teu projeto memorável. Para rever a tua hipótese e fortalecê-la, é muito recomendável criar um canvas de Proposta de Valor e verificar o que a tua ideia realmente acrescenta aos futuros clientes. Isso ajudará a identificar rapidamente quais são as necessidades deles e como o teu projeto as resolverá melhor do que outras soluções já existentes no mercado.
Ao laboratório!
Chegou a altura de testar “no laboratório” a hipótese que definimos. No nosso caso, vamos criar um Produto Mínimo Viável (MVP, na sigla em inglês) para ver qual é a reação dos nossos potenciais clientes. Com o objetivo de verificar que tudo funciona, realizaremos uma série de testes prévios à nossa prova com o mercado real; isto servirá para afinar os processos e verificar a usabilidade do nosso produto, especialmente se for digital. Depois de aperfeiçoados os passos, lançaremos este produto num ambiente controlado e, desta forma, verificaremos qual é o nível de aceitação junto do público-alvo. Normalmente, estes experimentos são realizados com uma dupla perspetiva:
Quantitativa. Testaremos a aceitação junto de uma audiência controlada, por exemplo, uma amostra de 200 pessoas.
Qualitativa. Verificaremos se o público responde bem à ideia e a aceita como válida.
Para realizar esta fase, o ideal é estabelecer um período de tempo que permita controlar o processo e decidir se teve sucesso.
Medição
O método científico baseia-se em medir e comprovar, por isso é lógico que confiemos nas métricas e as consideremos fundamentais para saber se a nossa ideia terá sucesso (ou para descobrir o que falha). No caso dos produtos digitais, essas métricas serão KPIs, número de descargas ou interações. Se falarmos de produtos físicos, focar-nos-emos no número de compras ou de subscrições ao serviço. Neste ponto, devemos ter em conta um aspeto muito importante: antes de avançarmos para a medição, é necessário estabelecer qual é o limiar de métricas que consideramos um sucesso e quais os indicadores que assinalarão que devemos melhorar aspetos do nosso produto ou serviço.
Aprendizagem
Evidentemente, este processo tem um único objetivo: aprender. Depois de analisada a aceitação da ideia e as métricas que indicam o que funciona e o que não funciona, chega o momento de implementar as mudanças para continuar a melhorar o produto. E se tudo indicar que a nossa ideia não serve ou não tem utilidade… não desanimes: sempre poderás usar o que aprendeste para lançar novos projetos ou aplicá-lo no teu trabalho. Vais ouvir muitas vezes que o importante é a jornada e que falhar faz parte do sucesso. Logicamente, a um fracasso nem sempre se segue um sucesso, mas sempre terás uma aprendizagem, competências que te serão úteis na tua vida profissional e o orgulho de ter tentado.
Foto de Trust Katsande no Unsplash.
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